Os cinco conflitos mais comuns entre franqueados e franqueadoras


Como toda relação de negócios, o franchising tem seus problemas; confira os conflitos mais frequentes nas franquias
Luis Philipe Souza

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É consenso que abrir uma franquia é um procedimento menos trabalhoso do que começar o próprio negócio de maneira convencional. Por mais que seja necessário o acompanhamento de perto pelo franqueado, aspectos como contratos com fornecedores e até detalhes de divulgação já estão previamente definidos no padrão da marca.

Foto: Thinkstock/Getty Images
“Abrir uma franquia não é garantia de sucesso”, afirma a consultora de franquias Anna Vecchi
No entanto, isso não significa que os franqueados sigam sem problemas no decorrer do trabalho. Pelo contrário, dizem especialistas, muitos deles se frustram logo após a abertura da franquia.

A seguir, seguem listados – e comentados – os principais problemas observados no mercado de franchising.

1 – Fundos de publicidade

Um dos principais conflitos entre franqueados e franqueadoras pode ser em torno do marketing. A maioria das empresas trabalha com um fundo de publicidade, no qual todo mês é depositado uma quantia dos franqueados para ações gerais da rede.

No entanto, seja na divulgação de abertura da nova franquia ou meses depois, o franqueado acha que as ações publicitárias são insuficientes e cobra da franqueadora por mais atenção local. Segundo Diego Simioni, consultor de franquias da GoAkira, esse comportamento é muito comum, mas de nada adianta.

“O marketing gera muita expectativa e é um gargalo muito forte. No caso de até 100 lojas franqueadas, o fundo de publicidade é muito pequeno. [O franqueado]

não pode esperar que a marca esteja na TV toda hora”, explica, acrescentando que esse montante é direcionado para ações institucionais. “Outro ponto que gera descontentamento é quando a franqueadora faz uma ação que beneficia apenas uma região. O franqueado de outra área vai se sentir prejudicado, então tem que ser tudo bem estruturado”.

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2 – Treinamento (a falta de)

Alguns negócios têm em sua natureza processos logísticos mais complexos, o que demanda um forte e criterioso treinamento de gerência e corpo de funcionários. Com alguma frequência essa parte é negligenciada pelas franqueadoras e, posteriormente, isso pode se transformar em uma grande dor de cabeça.

“Cinco dias de treinamento para uma operação de Fast Food ou varejo, por exemplo, não adiantam, não ensinam nada. O tempo é fundamental para inaugurar já levantando voo, não batendo cabeça. Se isso acontecer, vai ter problema”, afirma Ana Vecchi, diretora da consultoria de inteligência estratégica Vecchi Ancona.

3 – Exclusividade ou Preferência?

Outro motivo que pode causar confusão entre as partes costuma ficar esquecido – ou mesmo escondido – no contrato: a cláusula que trata de exclusividade da área da franquia. De acordo com Simioni, a maioria dos contratos prevê um acordo somente de preferência, mas não de exclusividade.

“Na caso da preferência, se a franqueadora recebe uma proposta de abertura numa área onde já há um franqueado, ela oferece [ao franqueado]

a opção de abrir outra loja. Caso contrário, ela vende para o outro interessado”, explica o especialista, acrescentando que é importante ficar atento e se informar sobre o potencial de crescimento da marca no local.

4 – Distanciamento pós-abertura

Este ponto gira em torno da falta de comunicação frequente entre muitas franqueadoras e seus franqueados de acordo com o passar do tempo. Após toda a euforia e esforço para colocar tudo em ordem em uma nova loja, naturalmente a franqueadora tira um pouco a mão da massa e volta ao posto original de gerenciamento.

No entanto, muitos franqueados se sentem “sem chão” com essa mudança. “Há um certo nível de frustração. Costumo dizer que o franqueado tem fases que vão desde a empolgação inicial até aquela em que acha que todo o mérito do trabalho é fruto do esforço dele”, afirma o especialista da GoAkira.

Equívocos são observados de ambas as partes: franqueados que esperam suporte excessivo e franqueadoras que deixam seus parceiros a ver navios. Por conta disso, Simioni alerta que é preciso “discutir a relação”. “Tem de haver conversa, pois não se pode esquecer que o relacionamento no franchising é de ganha-ganha”.

5 – Expectativa x Realidade

Talvez o ponto que crie a maior tensão em uma relação de franquias seja a diferença entre o que é projetado e o que, de fato, os números mostram na realidade. Apesar de o franchising ter um índice de falência oito vezes menor que o de negócios próprios – cerca de 3% após um ano de abertura –, a decepção com os resultados é bastante corrente.

Segundo Anna Vecchi,  é bastante comum ocorrer de o dito pelas franqueadoras não se refletir na prática, mas ela alerta para a parcela de culpa que também pode vir do novo empresário. “Em contrapartida, o franqueado precisa estar comprometido com o negócio. Abrir uma franquia não é garantia de sucesso”, pondera.

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