Desistir jamais? Será?


Será que o lema do ‘desistir jamais’ não nos leva a manter situações e compromissos infrutíferos e negativos para nossas vidas? Nesse artigo, Fran Christy nos estimula a refletir sobre as coisas que deveríamos abrir mão, ou seja, desistir em nossas vidas para que possamos construir um futuro melhor.

Dentro do estudo da tomada de decisão, sempre acabamos nos deparando com a necessidade de reflexão sobre a desistência. Vivemos em uma cultura que torce o nariz para a ideia de desistência – “quem desiste é fraco”, “quem desiste é covarde” e assim por diante. Contudo, essa é uma visão incompleta e ingênua do assunto.
desistir

Em primeiro lugar, a desistência é obviamente relativa: desitir do quê? De seguir a meta errada, por exemplo? Não seria mais sábio então desistir da meta errada e passar e perseguir a meta certa? Quando pensamos sob esse enfoque a desistência perde muito da sua aura negativa, não perde? Sempre quando você desiste de algo pior para você (ou para os outros dentro do contexto) e toma uma decisão que o levará a conquistar algo melhor, a desistência é positiva.

A tomada de decisão gira muito em torno da problemática dos recursos escassos, não temos todo o tempo do mundo para fazermos tudo o que desejamos, nem podemos ter tudo ao mesmo tempo – portanto, precisamos fazer escolhas, precisamos escolher nossas batalhas, definir nossas preferências, nossas prioridades. Nesse contexto do tempo e dos recursos escassos, toda escolha envolve desistência – é preciso abrir mão de todas as outras opções preteridas. E quando o próprio tempo nos mostra que as decisões que tomamos no passado não foram as mais acertadas, podemos nos deparar novamente com o fantasma da desistência.

Desistir, muitas vezes, não é sinal de fraqueza, mas sim de coragem. Em muitas situações, é mais difícil abrir mão ou virar as costas, mudar de caminho, do que simplesmente continuar empurrando com a barriga. Um dos maiores problemas parece ser a admissão pública da desistência, ou seja, a preocupação com o que os outros vão pensar sobre o que você fez. Considerando que a desistência tem uma fama tão negativa, muitas pessoas têm receio de serem consideradas fracas, covardes ou incompetentes ao “mudarem de ideia”, desistindo de uma coisa para abarcar outra. Cabe a cada um, é claro, refletir sobre o quanto a opinião alheia tem poder de ditar seu próprio destino e tomar decisões com base em suas prioridades individuais, seja o status quo, mantendo as “aparências” ou a satisfação pessoal.

Muitas das decisões que tomamos na vida carecem de discernimento e reflexão e com frequência fazemos o que os outros esperam de nós, mesmo sem pensar. O resultado é um presente (e um provável futuro) diferente do que idealizamos para a nossa vida. Para corrigir o rumo é preciso desistir de algumas coisas, mudar outras para conseguirmos tomar os caminhos certos que nos levarão para o futuro que consideramos melhor para nós mesmos.

No final das contas, a vida é a soma das escolhas que fazemos ao longo do caminho e essas decisões envolvem invarialmente momentos de desistência. Muitas dessas escolhas envolvem justamente aquilo que escolhemos não fazer ou deixar de fazer.

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