6 coisas que pessoas bem sucedidas fazem diferente


Muito se fala sobre as diferenças entre pessoas bem sucedidas (geralmente na vida profissional) e as “outras” que ainda não chegaram lá. Nos focamos geralmente na avaliação da vida profissional, pois medir sucesso integral, na vida como um todo, é muito difícil e depende do ponto de vista do observador. É importante frisar que quando mencionamos essas “pessoas bem sucedidas” não estamos sugerindo que acreditamos que elas sejam perfeitas, apenas que conquistaram um nível notável de êxito profissional.

Quando penso em pessoas bem sucedidas, penso tanto em pessoas que atingiram altíssimo sucesso em suas profissões como Oprah Winfrey, Angelina Jolie, Steve Jobs e Bill Gates até pessoas que o grande público nunca ouviu falar, mas que notavelmente atingiram o ápice de suas carreiras, como meu médico pessoal e meu advogado, que não são pessoas famosas, mas são muito bem sucedidas. Acredito ser importante evidenciar essa diferença, pois quando lemos artigos como este, podemos ser levados a crer que o autor está afirmando que “ser bem sucedido” é ser o novo Steve Jobs, mas essa não é a minha intenção.

Lembrando também que não estamos falando em felicidade ! Muitas pessoas lêem artigos como este e respondem com comentários do tipo:“mas tem muita gente de sucesso que é infeliz”, “dinheiro não traz felicidade” ou coisas do tipo. Felicidade é outra história, outro departamento e não depende de nada que possa ser conquistado externamente. Aqui estamos falando de equilíbrio de um outro tipo, aquele que torna sua vida mais confortável do ponto de vista material e que lhe dá aquela sensação de dever cumprido. Se há outras coisas em sua vida que lhe causam infelicidade, é preciso estar ciente de que isso não está relacionado ao sucesso financeiro e profissional, mas ao mesmo tempo, o fato de que não conseguimos alcançar a bendita felicidade perseguindo dinheiro e sucesso não exclui essas metas como válidas e importantes. Eu não sei você, mas eu, particularmente, prefiro ser infeliz em uma mansão com três carros na garagem do que devendo aluguel, lutando centavo por centavo para por comida na mesa e pagar a escola das crianças…

O fato é que existem diferenças marcantes entre o comportamento de pessoas que “dão certo” na vida e aquelas que permanecem em subnível, muitas vezes, sem saber o que estão fazendo errado. Aqui marco seis dessas diferenças:

1. Elas fazem o que precisa ser feito

Pessoas que não atingiram o sucesso têm um padrão de comportamento reclamão e postergador. Elas sabem o que precisa ser feito em cada fase de suas vidas, mas elas fazem manha, reclamam, preferem fazer “outras coisas” e no final das contas, a produtividade fica lá em baixo. É como o estudante que sabe que precisa estudar para a prova do dia seguinte, mas ele prefere dizer que odeia a matéria e fica no Facebook o dia inteiro ao invés de rever o conteúdo da prova. Quando a nota baixa vem, ele não assume a culpa e diz para os pais que o professor “não deu na aula o que caiu na prova”. Esse aluno cresce para se tornar o adulto a que estamos nos referindo aqui!

Como escritora eu encontro com frequência aspirantes a autores que me relatam que encontram muita dificuldade para escrever pois dificilmente estão inspirados ou motivados. Isso é uma compreensão incorreta da produtividade do escritor, que pode ser ampliada para diversas outras profissões. Quando estou escrevendo um livro eu simplesmente sento e escrevo, não fico esperando motivação, muito menos a tão elusiva inspiração, que é mais mito do que realidade.

Pessoas bem sucedidas possuem uma certa frieza nesse sentido, elas simplesmente fazem o que precisa ser feito, quer elas estejam com vontade ou não, quer estejam motivadas ou não. Essa disciplina é que faz com que o trabalho seja feito no tempo correto e nessa, esse grupo passa na frente dos que estão pacientemente esperando uma motivação que nunca aparece.

2. Elas tomam a iniciativa

Um problema comum entre as pessoas que demoram muito para crescer na vida é que elas esperam mais do que agem. Muitas vezes isso é herança negativa do sistema escolar, mas com o nível de informação que temos hoje em dia, não é difícil descobrir que esperar não é a solução, agir sim.

Pessoas bem sucedidas estão sempre caminhando em direção ao que elas querem, mesmo que isso não esteja muito claro para elas. É um mito achar que todas as pessoas bem sucedidas definem metas e objetivos límpidos com a água, muitas delas não fazem isso, mas têm uma ideia do que querem e vão andando.

Definir metas, é claro, é muito bom e potencializa enormemente as chances de sucesso, abrindo uma vantagem competitiva absurda com relação a todos os outros que vivem a vida sem eira nem beira.

Steve Jobs, por exemplo, não era o tipo de cara que se organizava, definia metas e planejava, pelo contrário, ele era totalmente caótico e desorganizado. Contudo, Jobs estava sempre “se movimentando”, agindo, socializando com as pessoas certas, fazendo contatos chave e indo em direção a um objetivo que ele tinha vagamente na cabeça. Funcionou!

Bill Gates, por outro lado, é um cara organizado e conhecido por planejar bastante. Também deu certo.

A palavra-chave aqui é iniciativa, proatividade. Simplesmente faça as coisas e caminhe em direção a algo que lhe traga mais estabilidade profissional e financeira.

3. Elas possuem um equilíbrio entre sonhar e manter os pés no chão.

Sonhadores crônicos terminam na sarjeta, não raro deprimidos por nada terem alcançado na vida e, em alguns casos, até mesmo alcóolatras. Sonhos são bons para nos indicar o que nos motiva, o que temos vontade de fazer na vida, mas só sonhar não nos leva a lugar algum.

Por outro lado, a pessoa muito pés no chão acaba em funções seguras, porém medíocres, geralmente trabalhando como empregada para as altamente bem sucedidas. Há sucesso nessas funções também e há quem queira só isso da vida, tudo bem.

Para quem quer mais, é preciso aprender a soltar as rédeas, dando vazão aos sonhos, assumindo riscos, mas sem perder perspectiva da “vida real”. Isso significa evitar atitudes impulsivas e irresponsáveis em nome da frustração com a situação atual e da vontade de seguir um sonho. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra, diz o ditado.

O ideal é adquirir mais perspectiva de longo prazo, tentando formar uma imagem de como será a sua vida nos próximos 20 ou 30 anos. Para isso, existem algumas técnicas de jogos de cenários em que você avalia pessoas que seguiram o caminho que você está seguindo e são 20 a 30 anos mais velhas. O que aconteceu com elas? Elas são bem sucedidas como você quer ser? Nessa área em que você está inserido, existem mais histórias de sucesso ou de fracasso? E ainda, mais histórias de sucesso ou de pessoas que estacionam na mediocridade?

Uma dica importantíssima é evitar tomar como exemplo casos únicos e especiais de pessoas que por um lance de sorte e oportunidade, deram certo. Se tem mais gente se dando mal em sua área do que gente se dando bem, cuidado, você não tem garantia nenhuma de que será um “sortudo”, sorteado pela vida para dar certo em um meio instável. Dois exemplos clássicos, um de possibilidade de sucesso e outro de risco de fracasso é a medicina como carreira escolhida que quase que certamente – contanto que a pessoa “não estrague tudo” – leva ao sucesso e por outro lado, as carreiras artísticas, como ator, músico e pintor que dependem de sorte e feedback positivo do público e não do talento e do esforço pessoal – há muito mais artistas fracassados do que bem sucedidos, ao passo que há muito mais médicos bem sucedidos do que médicos fracassados. É claro que você não precisa escolher a medicina para dar certo na vida! Esse é só um exemplo de um cenário cuja prospecção de futuro é bem fácil. Quanto à carreiras artísticas, só recomendaria uma “tentativa” para pessoas extremamente jovens. Em uma análise de cenários, é possível ver que mais de 90% das pessoas bem sucedidas nas artes começaram muito cedo.

Empreendedorismo, apesar dos mitos, também é uma área que oferece mais oportunidades de sucesso do que de fracasso. Empresários fracassados geralmente são pessoas que não buscaram conhecimento sobre como administrar apropriadamente seus negócios ou não tinham perfil empreendedor (proativo, arrojado, ousado). Essa também é uma das melhores alternativas para quem está acordando para a vida tarde demais para começar tudo de novo em uma nova carreira convencional.

Ao estudar cenários, é recomendado também, investigar como exatamente pessoas que se tornaram bem sucedidas em sua área chegaram lá, qual o caminho que elas trilharam. Mais uma vez, em um mundo repleto de informações, em que as pessoas publicam autobiografias como nunca, é fácil obter esse tipo de informação – se você for atrás!

4. Elas se focam em permanecerem produtivas e não ocupadas

Esse assunto já rendeu diversos artigos por aqui e no site Sonhos Estratégicos. Existe uma diferença, muitas vezes sutil, entre estar sendo produtivo e simplesmente estar ocupado.

Saber distinguir essa diferença exige além de reflexão e discernimento, um senso claro de propósito, ou seja, uma noção de qual o significado e o fim da atividade que você está fazendo em relação ao que você pretende alcançar.

Compreender essa relação é fundamental, pois muitas atividades que mantêm as pessoas ocupadas parecem ser importantes, elas não são passatempo, nem diversão. Por esse motivo, muitas pessoas podem se sentir confusas, achando que estão realmente fazendo coisas importantes, quando estão na verdade, se dispersando, fazendo coisas que parecem ser relevantes, mas não as estão levando para onde elas querem ir. Muitas vezes, achamos que atividades irrelevantes são apenas aquelas que são inúteis para todos, como email, Facebook, Twitter, Instagram, televisão, etc. Mas o buraco é mais embaixo! Qualquer atividade que não o leve diretamente ou indiretamente ao seu objetivo final é dispersiva (em seu caso particular). É por isso que discernimento e reflexão são tão importantes: só você é capaz de saber o que é realmente importante em termos de atividades e o que é perda de tempo, pois a mesma atividade pode ser importante para uma pessoa e irrelevante para outra.

É aí que entra o propósito, o saber para onde você está indo. Se você não sabe, tudo quanto é atividade que “parece ser importante” consumirá seu tempo e no final das contas, você ficará como Alice no País das Maravilhas, sem chegar a lugar algum.

Pessoas bem sucedidas têm esse senso de propósito muito bem refinado, mesmo que, como mencionei antes, elas não tenham metas claramente definidas. Elas têm uma visão e esse “senso” separa o joio do trigo, as indicando que atividades são relevantes para alcançarem o que querem o que “não tem nada a ver” com o caminho escolhido.

E, especialmente, pessoas bem sucedidas SÓ FAZEM essas atividades realmente importantes e se negam a todo custo a desperdiçar tempo – em horário produtivo – com atividades irrelevantes.

5. Elas se dão o trabalho

Se dar o trabalho, por falta de outra expressão, é a capacidade de correr atrás, seja de informação, pessoas, oportunidades e como não poderia deixar de ser, de produtividade.

Muita gente fracassada – ou que ainda “não chegou lá” – hesita demais, pergunta demais e posterga demais. Falta ação, falta proatividade, falta iniciativa para ser mais independente e seguir em frente sem esperar (ou pedir) ajuda, informação ou circunstâncias favoráveis.

Como falei em outro ponto, pessoas bem sucedidas vão seguindo em frente, aos trancos e barrancos, não esperam aprovação de ninguém, não esperam ajuda, não esperam a vida estar perfeita, simplesmente vão fazendo – elas se dão o trabalho de correr atrás do que precisam, seja informação, contatos, dinheiro, ou o que quer que seja.

Uma diferença chave – anote isso se é o seu problema! – é que pessoas que falham nesse quesito travam no “como”, elas querem as coisas, mas não sabem como conseguir, como fazer. Se uma das reações ao ser este item foi: ok, eu sei disso, mas eu não sei o que fazer para seguir em frente”, você se enquadra aqui. A minha dica: se dê o trabalho! Corra atrás de informação – e de preferência de forma independente, sem sair perguntando para os outros (essa dependência demonstra hesitação e falta de proatividade) e principalmente, não espere ter uma receita de bolo em mãos antes de começar a agir – simplesmente comece a andar, tateando no escuro se for o caso.

Essa dependência de instruções claras, do tipo “receita de bolo” pode colocá-lo permanentemente em uma condição de mediocridade, quando a realidade é que ao estudar casos de sucesso, você poderá ver que nenhuma dessas pessoas teve acesso a instruções detalhadas de como chegar onde chegaram, elas simplesmente foram indo.

6. Elas se relacionam com as pessoas certas

Você já ouviu (ou deu) aquela desculpa de que para ser bem sucedido em uma determinada área é preciso “conhecer gente”? Essa frase é jogada como uma justificativa para o fracasso pessoal, como se o interlocutor quisesse dizer: nesse ramo as coisas não são justas, nem eu nem você poderíamos dar certo porque não conhecemos ninguém “influente”.

A realidade é que para dar certo na maioria das carreiras é preciso conhecer gente! A questão é que não há nada de errado com isso (nem injusto). Você contrataria uma babá ou uma empregada doméstica que não viesse bem recomendada por alguém que você conhece e confia? Pois é, agora, você já ouviu empregadas reclamando que não podem se dar bem nesse ramo, porque para serem contratadas como domésticas, elas precisam conhecer gente?!

Mas precisam!

Como a empregada doméstica passa a “conhecer gente” a ponto de conseguir mais trabalho no futuro? Trabalhando como empregada doméstica! O começo de qualquer carreira é difícil, o primeiro emprego carece do mais importante item para o crescimento profissional, os contatos, que se tornam referências profissionais no futuro.

Qualquer carreira funciona da mesma forma, pois nós como seres humanos damos mais valor e importância para aqueles que conhecem quem nós conhecemos e confiamos e foram recomendados por eles.

Agora, o pulo do gato é que você não conhece essas pessoas chave do nada, sentado na frente do seu computador postando fotos no Facebook ou fechado no escritório em que você trabalha. Dependendo do que exatamente você quer alcançar, você precisa começar a caminhar, se expor ao meio em que você quer se inserir, aí sim, você começa a “conhecer gente”!

Uma das características mais marcantes de pessoas bem sucedidas é a valorização que elas dão ao networking, os relacionamentos com as pessoas do ramo, que vão evidentemente se construindo aos poucos. Esse grupo de relacionamento é construído organicamente. Um vai apresentando contatos aos outros e assim por diante.

Da mesma forma, é observável também que os grupos de relacionamento das pessoas bem sucedidas incluem as positivas, otimistas e igualmente bem sucedidas e excluem os reclamões, pessimistas e fracassados. Isso não é discriminação, é seletividade natural. Pessoas pessimistas e fracassadas gostam de conversar sobre os problemas do mundo, do governo, da economia e falar mal dos outros. Pessoas bem sucedidas gostam de conversar sobre sua área de atuação, estratégias de negócios, novidades em seu ramo, hobbies, livros, cultura e planos para o futuro. É apenas natural que ambos os grupos acabem se separando por uma antipatia orgânica, eles não têm o que conversar entre si.

Se você se vê fazendo parte de um grupo de fracassados, tendo os mesmos padrões de comunicação, procure se distanciar, formando um novo grupo. Onde encontrar esse novo grupo? Isso depende muito de sua área de atuação, mas a escola é sempre um bom começo se você não sabe por onde começar a procurar. Se você não tem curso superior, faça um, se já tem, procure uma pós, um mestrado, um doutorado,MBA. Há pessimistas no mundo acadêmico? É claro! Mas esse é um meio em que você é exposto a centenas de pessoas regularmente e pode ter mais chances de fazer amizades com pessoas de cabeça aberta que queiram subir na vida. Frequentar eventos em sua área também é uma boa opção.

O melhor de tudo, entretanto, é começar a caminhar em direção a sua meta de sucesso. Você se transformará em um chamariz de pessoas interessadas no que você faz e esses contatos podem ser preciosos.

Quando eu publiquei meu primeiro livro, imediatamente as pessoas começaram a me procurar para dar entrevista, publicar artigos em revistas, jornais, dar palestras, queriam meus serviços como coach (que na época eu não tinha nem pensado em prestar). Eu não era ninguém e não conhecia ninguém, publiquei meu livro sozinha, sem ajuda, sem editora, com meus próprios recursos limitados. Eu comecei a andar – sem qualquer contato – e ao me mostrar ao mundo, aquelas pessoas-chave que eu tanto procurava “me acharam”!

Como diz Mark Twain, “o segredo do progresso é começar”. É só quando você dá os primeiros passos que o caminho torna-se mais claro a sua frente e as pessoas que podem ajudá-lo a progredir aparecem.

Na próxima semana, vamos falar sobre outras características que definem o comportamento das pessoas bem sucedidas como predisposição para assumir riscos e habilidade para lidar com pressões. Se você tem alguma sugestão para ampliarmos este tema na segunda parte do artigo, deixe seu comentário abaixo!

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