Como ter inteligência emocional?


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Essa é uma pergunta frequente, mas é importante começar esse artigo explicando que inteligência emocional não é uma “habilidade” que se aprende como administração do tempo ou definição de metas. Não é uma questão de obter uma dica aqui e ali e pronto, você “terá” inteligência emocional. Não é assim que funciona! Esse artigo não vai ensiná-lo literalmente a “ter” inteligência emocional!

Inteligência emocional é a maturidade íntima, a capacidade de lidar proativa e assertivamente com os acontecimentos da vida e isso não se aprende do dia pra noite, muitas pessoas não aprendem nunca!

Tendo noção então da dimensão dessa característica, podemos falar sobre como “ter” essa maturidade emocional, considerando que o trabalho de desenvolvimento dela pode levar uma vida inteira.

O primeiro aspecto a ser observado na própria personalidade é justamente a proatividade, que falamos bastante por aqui. Proatividade não é só a iniciativa de dar o pontapé inicial em alguma ideia, mas também saber lidar positivamente com adversidades e obstáculos, sabendo reverter aquilo para benefício próprio, mesmo que seja apenas o aprendizado com uma situação negativa. Quem não age proativamente, reage. Essa reação vai desde mau humor em resposta aos eventos do dia-a-dia até depressão, quando a vida simplesmente “não acontece” do jeito que a pessoa quer.

Reações negativas sempre denotam falta de tato para lidar com o ocorrido, isso é falta de proatividade e no final das contas, falta de maturidade emocional.

Trabalhar com esse aspecto exige, antes de mais nada, predisposição para abrir mão do egocentrismo, da mania de querer que tudo aconteça de acordo com suas próprias expectativas, senão você faz biquinho e dá pití ou fica choramingando, reclamando da vida.

Ninguém muda isso de uma hora pra outra, é claro, mas uma mudança nesse sentido depende de profunda reflexão sobre as próprias atitudes e reações. Uma boa técnica, por mais simples que seja, é assistir filmes que retratem realidades muito diferentes da sua, principalmente histórias que retratam pessoas superando desafios usando justamente a proatividade e a inteligência emocional. Ao ver o exemplo do outro, mesmo que seja apenas um filme, nós refletimos sobre a nossa própria postura, nos comparamos aos personagens e podemos, se estivermos atentos, nos pegar no dia-a-dia prestes a reagir de formas negativas, podendo então escolher conscientemente agir de forma diferente. Esse é o começo da maturidade.

O segundo aspecto é a forma como lidamos com as nossas expectativas. Quanto mais específicas e egocêntricas são as nossas expectativas de como a vida, as pessoas e o futuro devem ser, mais sofremos e nos decepcionamos. Expectativas são egocêntricas por natureza. Esperar que outra pessoa tenha uma determinada postura e comportamento é admitir para si mesmo que o outro não tem direito de ser ele mesmo, que ele deveria preferencialmente ser aquilo que você acha melhor. Só a verbalização dessa frase já soa ridícula, mas muita gente mantém expectativas com relação ao comportamento alheio e se frustra quando as pessoas são… elas mesmas. Muitas brigas entre familiares – cônjuges, pais e filhos, irmãos – ocorrem justamente por esse motivo, expectativas quebradas.

As nossas próprias expectativas com relação a nossa vida também podem nos causar muita frustração. Expectativas irrealistas formam uma das receitas mais perfeitas para uma depressão profunda no futuro. Investigar e mais uma vez, refletir profundamente, quanto a raiz dos nossos sonhos e da forma como vemos o mundo pode nos ajudar a colocar os pés no chão e lidar com a vida de forma mais madura.

O terceiro aspecto é a autoconscientização emocional, ou seja, ser capaz de discernir e discriminar as próprias emoções, tendo a capacidade de lidar com elas de forma racional, mas sem sufocá-las. Esse é um dos aspectos mais mal compreendidos sobre a inteligência emocional. Ser inteligente emocionalmente não é sair por aí extravasando as emoções, se permitindo sentir tudo, mostrando para todo mundo o que você está sentindo, tampouco é uma super-racionalização psicológica, um comportamento frio e distanciado. A melhor descrição para a pessoa emocionalmente inteligente é a própria definição do termo: uma pessoa madura, coesa, coerente, comedida.

Nesse ponto também existe muita confusão, pois popularmente acredita-se que inteligência emocional é sinônimo de extroversão e não é. A pessoa extrovertida tem muito mais probabilidade de ser emocionalmente instável do que uma pessoa introspectiva, que muitas vezes é assim porque lida melhor com as próprias emoções.

O desenvolvimento desse terceiro aspecto depende muito do nível de atenção e “presença”, ou seja, o quanto a pessoa está presente no momento, atenta para o que está acontecendo ao seu redor e em seu mundo íntimo e não perdida em diálogos mentais intermináveis ou dando vazão a fantasias – o “sonhar acordado” – e pensamentos automáticos.

O trabalho nestes três pilares da inteligência emocional é complexo, longo e exige muito comprometimento pessoal, é claro que um simples artigo não tem como atender a essa demanda. Meu objetivo aqui foi dar uma passada geral no que é necessário para desenvolver essa capacidade.

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