Irritação em crianças: saiba o que fazer


Escrito por Dra. Ângela Helena Marin

Qua, 01 de Junho de 2011 09:32

O que causa irritação nas crianças?

A irritação é um dos sintomas freqüentes do distúrbio de ansiedade, que pode acometer tanto crianças como adultos. A ansiedade é um sentimento esperado na infância e em outras etapas da vida. Especificamente na infância, pode-se observar esse sentimento desde muito cedo, quando as crianças se separam dos pais, quando ingressam na escola ou por outros eventos importantes, como a chegada de um irmão, perda de pessoas queridas, entre outros.

É possível uma criança ter uma predisposição à irritação?

A ansiedade infantil é multifatorial, incluindo fatores hereditários e ambientais diversos. Em outras palavras, ela pode ser causada por problemas psicológicos e/ou alterações nos transmissores químicos cerebrais, doenças na tireóide, infecções e fatores genéticos. Portanto, algumas crianças podem ter uma predisposição para desenvolver o distúrbio de ansiedade, sendo que um dos seus sintomas é a irritação.

A irritação pode ser herdada dos pais?

Todos os distúrbios psiquiátricos são multifatoriais e podem, sim, ter influência de aspectos hereditários, mas isso leva a uma predisposição e não necessariamente à manifestação do distúrbio.

 O que pode ser feito para acalmar a criança? Existe algum medicamento que a acalme?

 É importante que a criança, ao manifestar excessiva preocupação, apreensão com o futuro ou frequentes sintomas como dores de cabeça, náuseas, vômitos, falta de ar, diarréia, palpitações, dificuldade de concentração, agressividade ou medos em excesso, entre outros, seja avaliada. De modo geral, o tratamento é constituído por uma abordagem multimodal, que inclui orientação aos pais e à criança, acompanhamento psicológico,  uso de psicofármacos e intervenções familiares.

Existem psicofármacos indicados para o tratamento da ansiedade que são recomendados tendo como base uma avaliação psiquiátrica da criança, que deve considerar as suas especificidades.

Existe o risco de a criança entrar em “surto”?

De uma maneira geral, os transtornos ansiosos na infância apresentam um curso crônico, embora flutuante ou episódico, se não tratados.

Como tratar a irritação?

Não se trata de algo pontual, mas, se o comportamento for exagerado, desproporcional em relação ao estímulo ou qualitativamente diverso do que se observa naquela faixa etária e que interfere na qualidade de vida, no conforto emocional ou no desempenho diário do indivíduo, será necessário
tratá-lo.

A quem os pais devem recorrer: a um psicólogo ou a um pediatra?

 Os pais devem recorrer a um profissional da área da saúde de confiança, pois esse saberá fazer o encaminhamento correto da criança frente à avaliação dos principais sintomas manifestados. Conforme o estudo “Transtornos de ansiedade” (publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria), é importante considerar na avaliação e no planejamento terapêutico do distúrbio da ansiedade a história detalhada sobre o início dos sintomas, possíveis fatores desencadeantes (ex.: crise conjugal, perda por morte ou separação, doença na família e nascimento de irmãos) e o desenvolvimento da criança.

 Além disso, ainda segundo o estudo, é preciso levar em conta o temperamento da criança (exemplo: presença de comportamento inibido), o tipo de apego que ela tem com seus pais (é segura ou não) e o estilo de cuidados paternos (como uma super proteção ), além dos fatores implicados na etiologia dessas patologias. Também deve ser avaliada a presença de comorbidade (quando duas ou mais doenças estão relacionadas).

Ângela Helena Marin é doutora em psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É psicóloga clínica e professora adjunta da Universidade Luterana do Brasil em Porto Alegre (RS).

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